domingo, agosto 02, 2020

Há artes gráficas que nos causam um íntimo e total arrebatamento já em um primeiro contato. Entendemos instantaneamente aquele vocabulário ...

02/08/2020 - Archie Comics e Tina

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Há artes gráficas que nos causam um íntimo e total arrebatamento já em um primeiro contato. Entendemos instantaneamente aquele vocabulário imagético e somos atraídos pelas suas agradáveis sensações. Formas ou desenhos aprazíveis são comuns: em menos de uma hora de navegação, esbarramos em vários. São ilustrações e páginas de quadrinhos que enchem os olhos, sejam estes minuciosamente elaborados ou exibindo soluções visuais apenas bem resolvidas e sem maiores malabarismos técnicos. Sempre há o que se agradar e apreciar nas publicações impressas e nas telas e monitores que acessamos diariamente. Porém, algumas artes agradam mais que outras...
[DIVULGAÇÃO] Betty e Verônica.
É bastante raro conversar com alguém que não diga pelo menos o nome de um desenhista, pintor ou obra de preferência. Bem como, para alguém mais imerso no mundo das artes, teremos listas e categorias a discorrer por um longo tempo de prosa. Comigo também há (obviamente) e eu não diria que meus gostos estejam na cabeça e na atenção de muita gente. O simplismo me fascina, as linhas claras estão constantemente me desafiando a entendê-las e a perceber o mistério da falta de complexidade se tornar tão expressiva. A linguagem simples se torna extremamente sofisticada sob minha ótica. A economia de linhas e as artes-finais espontâneas são o apogeu da uma expressão nas Histórias em Quadrinhos.

O Traço cartunesco de Bob Montana é um belo exemplo do que digo. A sua arte vintage alcançou o escopo de minhas predileções recentes. O cartunista trabalhou com o selo Archie Comics, contando gags sobre um protagonista homônimo e um jovem grupo, durante a década de 1940. Foi na Archie Comics que surgiram personagens como as da série de TV "Josie e as Gatinhas" de Hanna Barbera - desenho animado familiar a qualquer um com mais de trinta anos. Bob Montana desenhou para a Archie Comics ao longo de 35 anos, ilustrando, fazendo quadrinhos e suplementos dominicais para jornais.
[DIVULGAÇÃO] Página original das mãos de Bob Montana.
O traço de Bob Montana é uma pérola polida e perfeita. Ótimas escolhas de contrastes, linhas a pincel com variações lindamente calculadas, em um simplismo que considero pura genialidade. Há muitos outros desenhistas da mesma escola, claro. Já passei os olhos por uns tantos. Alguns usando de temas eróticos, Pinups e suas muitas variantes. Artistas contemporâneas como Sveta Shubina e Alejandra Oviedo representam bem essa leva. Mas, ao que me parece, essa tendência entrou em escassez com o passar do tempo e a renovação de recursos visuais. Uma pena que essa forma de expressão tornou-se apenas o foco de apreciação saudosista ou um interesse artístco peculiarmente excêntrico.
[DIVULGAÇÃO] Página da HQ Tina.
Algo disso pode ter se renovado. Tal aconteceu com a personagem Tina dos estúdios Maurício de Sousa no período entre os anos 1990 e 2000. Essa produção contém algo do que considero também uma expertise de linguagem gráfica a despertar tanto interesse quanto a arte de Bob Montana. Mesmo que essas publicações sejam trabalho de um estúdio (ou um grupo de artistas) e estejam dentro de uma linha de produção padronizada, é um trabalho que me deixa bastante atento e já mereceu muitas pesquisas e horas de apreciação.

Ambos (Tina e Archie) fazem humor e embora não seja um total descrédito, desperdiça-se um bom leque de possibilidades limitando-se dessa forma. O traço cartunesco, em grande parte, está relacionado à comicidade, porém, funciona com facilidade em outros gêneros não relacionados. Obviamente, existem uma variedade temas explorados por aí, o mundo artístico na internet é amplo e certamente há bastante a ser conhecido...

Ainda assim, Tina e Bob Montana retêm todo o meu respeito e admiração. E claro, me inspiram em minhas buscas como artista.

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