sábado, julho 04, 2020

Ignorando o poder financeiro de um autor, assim como o seu networking e o público que já alcança, vamos supor que ele queira lançar um proj...

04/07/2020 - Autopublicação Impressa

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Ignorando o poder financeiro de um autor, assim como o seu networking e o público que já alcança, vamos supor que ele queira lançar um projeto independente no qual acredite. Fora dos meios de incentivo à cultura e dos patrocínios, publicar-se tem custos. Mas, caso a possibilidade possa ser considerada e é a vontade do autor, chegamos a um dos grandes momento de sua vida. Autopublicar-se no suporte impresso extrai algum suor e também lágrimas de quem for empreender. Porém, há como fazer com que os orçamentos sejam mais enxutos e o trabalho figure um aprendizado a se levar como bagagem para o resto da vida.

Como já fiz isso duas vezes, aprendi algo sobre o qual posso falar um pouco. Foram vitórias, mesmo tendo me lançado nessas aventuras aos trancos e barrancos. Para não exceder minhas finanças, decidi que faria eu mesmo o máximo possível do exigido em uma publicação: trataria todo o volume de capa à contracapa. Desse jeito, minhas publicações foram quase que 100% resultantes de meus próprios esforços. Paguei apenas pelas revisões textuais. Ter que custear diagramador e designer não seria barato.
Prisma Negro - Minha primeira HQ impressa.
O primeiro conselho que tenho é o de planejar o número de páginas da publicação. Considerando folha de rosto, prefácio, etc, o miolo deve ter sempre um número de páginas múltiplo de oito. Se o trabalho todo já existe no papel, é preciso apenas adaptá-lo para que se enquadre nesse padrão. Será melhor fazer capa, guarda, lombada, quarta capa e contracapa separadamente porque há softwares cujas aplicações são mais eficientes para cada parte do livro.

Mas a preliminar disso tudo é a pesquisa por um formatos e tamanhos. Analisar uma publicação de acordo com os gostos do artista é o ideal. Eu, por exemplo, quando editei a HQ Noite Escura, usei o padrão da série Preacher, publicada no Brasil pela Pixel. Cheguei a essa revista como referência após muito avaliar e entender qual cairia melhor. E não me limitei a isso: também fui em busca de informações sobre o material de impressão, como o papel do miolo e da capa, suas gramaturas, vernizes e os tipos de encadernações. A gráfica pode apresentar opções no momento da contratação, porém, é bem mais legal ter o material do nosso jeito.
Editando Noite Escura no InDesign.
E como falei acima, fazer a editoração eletrônica vai aliviar gastos expressivos. Aprendi a usar o InDesign justamente por esse motivo e também para ter um melhor controle sobre o trabalho. É um software carrancudo e não é fácil de se dominar, contudo, dá para ir atrás dos seus macetes através da Internet. É inacreditável como o motor de busca mais usado ajuda. Para qualquer um com conhecimento intermediário em softwares de edição, os segredos são desvendados com esforços moderados. Indico muito o InDesign a quem já conhece os demais programas da Adobe e entende um pouco de editoração. Com a combinação do InDesign (pra editar) com o Photoshop (para tratar as páginas) e o Illustator (para logomarcas, artes vetoriais e capas), não tem erro.
LaVoisin - Fanzine experimental em Xerox.
Mesmo sabendo de sistemas de cores para impressão, sangrias, margens de segurança, etc (o que deve ser pensado ao longo do desenvolvimento da edição), ainda não posso dizer que sei a etapa derradeira que é a de fechar o arquivo. Mas não é um grande problema, pois há a possibilidade de se levar os arquivos editáveis com fontes e vínculos até a gráfica e deixar que os profissionais de lá finalizem o serviço que não custará absolutamente nada. Para isso, é importante ter todos os elementos do projeto e as hierarquias de pastas bem organizados (a atenção a esses aspectos é essencial).

Tomara que esses relatos sejam de alguma ajuda a alguém que queira colocar uma obra para rodar e ir atrás de seus sucessos com a sua publicação impressa, trazendo boas histórias e artes ao nosso mundo. Boa sorte!

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